Define-se como “apraxia de fala” um distúrbio na articulação no qual há comprometimento da capacidade de programar voluntariamente a posição da musculatura e a sequência dos movimentos musculares para a produção de sons e palavras. Para serem caracterizadas como apraxia de fala, essas dificuldades de programação de posição e sequência dos movimentos da fala devem ocorrer mesmo com a musculatura da face íntegra e com a habilidade de compreensão da linguagem preservada. O sinal mais comum observado na fala de pessoas com este distúrbio é a considerável dificuldade na produção de fala e na acurácia fonética, caracterizada por lentidão, intermitência e inconsistência na produção de sons, principalmente em sequências de palavras de duração mais longa.

O artigo em destaque é uma revisão da literatura científica, que busca apresentar as semelhanças e diferenças entre a apraxia de fala adquirida (ou seja, aquela apresentada por adultos e idosos após uma lesão cerebral causada por traumatismo craniano ou acidente vascular encefálico) e a apraxia de fala da infância, aqui chamada de “desenvolvimental” (ou seja, aquela apresentada por crianças desde o início da aquisição da fala e da linguagem). Esse é um tema bastante interessante e relevante para a prática clínica fonoaudiológica, pois ambos são distúrbios com sintomas semelhantes mas que precisam de métodos de diagnóstico e tratamento diferenciados.

O levantamento bibliográfico realizado pelos autores conclui que a principal diferença é que as crianças com apraxia de fala da infância apresentam, como consequência da apraxia da fala, atraso no desenvolvimento de linguagem, incluindo a linguagem escrita; e coexistência de problemas educacionais. Portanto, o impacto nas demais habilidades linguísticas seria a característica que diferenciam a apraxia de fala da infância da apraxia adquirida do adulto.

Um dos objetivos da terapia fonoaudiológica com os pacientes apráxicos, tanto crianças quanto adultos, é ajudá-los a reconquistar o controle voluntário para programar a posição correta dos órgãos fonoarticulatórios, a fim de produzir de maneira correta os fonemas e as palavras. Um dos métodos de maior sucesso no tratamento fonoaudiológico baseado em evidências de crianças e adultos com dificuldade na aquisição de sons da fala é o método de pistas multissensoriais. Fornecer pistas para a produção de sons usando mais de um meio sensorial (ou seja, apresentando simultaneamente pistas visuais, auditivas e táteis, por exemplo) é um dos pontos fundamentais neste trabalho.

O Baralho Altmann Pró-Fono é um método multissensorial indicado para a instalação de fonemas e grafemas, e pode ser também utilizado em articulação, leitura, escrita e alfabetização. O Baralho Altmann é composto por 162 cartelas para o trabalho com fonemas, 33 cartelas para grafemas e 7 cartelas-máscara para apoio visual, pelas quais se empregam modelos auditivos, modelos visuais e modelos táteis-cinestésicos.

A Pró-Fono também disponibiliza o livro “Como Tratar a Apraxia de Fala da Infância”, o livro mais abrangente disponível a respeito da avaliação, diagnóstico e tratamento da Apraxia de Fala da Infância. Este livro é indicado para fonoaudiólogos e estudantes de Fonoaudiologia que buscam recomendações práticas, baseadas em evidência, para abordar as diversas necessidades de crianças com Apraxia de Fala da Infância.

Referência: SOUZA, T. N. U.; PAYAO, L. M. C. Apraxia da fala adquirida e desenvolvimental: semelhanças e diferenças. Revista da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, v.13, n. 2, pp.193-202, 2008.