O olfato é uma função de extrema importância para a qualidade de vida. A alteração deste sentido pode representar importante prejuízo nas funções diárias, principalmente relacionadas com as atividades de alimentação, e aumento de risco pela ausência de percepção de odores indicando situações de perigo.

Durante a alimentação, a estimulação olfativa e gustativa desencadeada na apresentação de um alimento permite que haja a preparação de todo o sistema oral e gastrointestinal para a recepção do alimento: aumento da secreção salivar e do suco gástrico, posicionamento adequado das estruturas orais e aumento na excitabilidade nervosa e muscular para passagem do alimento ao estômago.

O olfato e o paladar são os sentidos mais facilmente afetados por agentes externos. Quando uma dessas capacidades de reconhecimento sensorial está alterada, geralmente também é possível identificar modificações no outro sistema sensitivo, indicando a influência de um sobre o outro. Muitos são os acometimentos que podem alterar essas capacidades perceptivas, tanto temporariamente – como obstruções nasais devido à coriza de gripes e resfriados – quanto de forma mais crônica – tais como alterações da estrutura nasal, laringectomia total, traumatismos cranianos e patologias neurológicas. Dentre os fatores que pode alterar significativamente a sensibilidade de receptores olfativos e gustativos, encontra-se ainda o tabagismo.

Quando o sistema olfativo não funciona como deveria, pacientes podem queixar-se de dificuldade em sentir e diferenciar odores e sabores. Vários métodos para avaliar o olfato foram desenvolvidos, com o objetivo de quantificar essas possíveis dificuldades e alterações. Os instrumentos quantitativos são os mais utilizados em todas as etapas.

O artigo em destaque, publicado em 2014, apresenta um estudo que buscou analisar a diferença entre as percepções de olfato e paladar de pessoas fumantes quando comparadas a não fumantes. Foram verificadas as capacidades de reconhecimento olfativo e gustativo de 24 indivíduos em cada grupo. A avaliação olfativa consistiu na apresentação de sete essências. Foi verificado pior desempenho nos testes olfativo e gustativo entre indivíduos tabagistas. Além disso, verificou-se que a piora no desempenho dos testes sensoriais implica aumento de compensações durante a deglutição em indivíduos fumantes.

O “Instrumento de Avaliação e Treinamento Olfativos Pró-Fono” foi idealizado tanto para a avaliação como para o treinamento da função olfativa, abordando o reconhecimento, a discriminação e a memória de diferentes aromas. Foram incluídos neste teste 15 aromas, selecionados pela recorrência em avaliações encontradas na literatura e por se encaixarem nas seguintes categorias: cítrica, doce, floral, frutada e mentolada. A utilização do Instrumento de Avaliação e Treinamento Olfativos Pró-Fono é fácil e deve ser realizada conforme instruções contidas no Manual de Instruções, onde são sugeridos dois subtestes de avaliação e cinco proposições de jogos para treinamentos.

Referência: SANTOS, K. W. et al. Influência da percepção olfativa e gustativa na fase oral da deglutição de indivíduos tabagistas. CoDAS, vol.26, n.1, pp.68-75, 2014.