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Nasômetro na Avaliação da Ressonância: Como Funciona e Quando Indicar?

Entenda como o nasômetro avalia a ressonância vocal de forma objetiva, suas indicações clínicas em fissura palatina, hipernasalidade e disfonia, e como interpretar os resultados.
O nasômetro é um equipamento que revolucionou a avaliação objetiva da ressonância vocal, fornecendo ao fonoaudiólogo um dado numérico e reprodutível — a nasalância — que complementa a avaliação perceptiva e instrumentaliza decisões clínicas e cirúrgicas com muito mais segurança. Entender como funciona esse equipamento e quando indicá-lo é essencial para quem atua em voz, fissura palatina e desordens velofaríngeas.
Por décadas, a avaliação da ressonância vocal dependeu exclusivamente da percepção auditiva do fonoaudiólogo — um método subjetivo, sujeito a variações entre avaliadores e de difícil documentação. O nasômetro veio para complementar (não substituir) essa avaliação com dados objetivos e rastreáveis.
O Que é o Nasômetro e Como Ele Funciona
O nasômetro é um dispositivo que mede a nasalância — razão entre a energia acústica emitida pelo nariz e a energia acústica total (nasal + oral) durante a fala. O resultado é expresso em percentual (0 a 100%) e fornece uma medida indireta da ressonância nasal.
Componentes principais:
– Placa separadora (baffle): placa rígida posicionada horizontalmente entre o lábio superior e o nariz, separando os compartimentos oral e nasal
– Microfones duais: um captando o som nasal (acima da placa) e outro captando o som oral (abaixo)
– Software de análise: calcula a nasalância em tempo real e gera gráficos e valores médios
Interpretação básica:
– Nasalância baixa (< 20%): possível hiponasalidade (obstrução nasal, ressoa pouco pelo nariz)
– Nasalância na faixa de normalidade: varia conforme o idioma e as normas para o português brasileiro
– Nasalância alta (> 30–35%): possível hipernasalidade (ressonância nasal excessiva)
> Atenção: Os valores de normalidade variam por idioma e foram estabelecidos por estudos com falantes do português brasileiro. Os valores de referência para o inglês americano NÃO devem ser aplicados a pacientes brasileiros.
Indicações Clínicas: Quando Pedir o Nasômetro
Fissura Palatina e Disfunção Velofaríngea
Esta é a indicação mais estabelecida do nasômetro na fonoaudiologia. A disfunção velofaríngea (DVF) — incapacidade de o véu palatino fechar adequadamente a comunicação entre faringe oral e nasal durante a fala — resulta em hipernasalidade e escape de ar nasal.
O nasômetro é utilizado para:
– Quantificar o grau de hipernasalidade antes e após a cirurgia palatina
– Avaliar a evolução da terapia fonoaudiológica em DVF
– Documentar resultados cirúrgicos e subsidiar indicação de reoperação
– Comparar diferentes abordagens cirúrgicas em estudos clínicos
Avaliação Pré e Pós-Cirúrgica de Palato
Antes de qualquer intervenção cirúrgica no palato (palatoplastia, faringoplastia, retalho faríngeo), a nasalância basal documenta o ponto de partida. Após a cirurgia, reavaliações periódicas permitem mensurar a melhora objetiva e identificar casos que necessitam de abordagem adicional.
– Avaliação pré-operatória: documenta a nasalância basal, estabelecendo o ponto de partida antes de qualquer intervenção cirúrgica.
– 3 meses após a cirurgia: avalia o resultado cirúrgico inicial e identifica necessidade de ajustes precoces.
– 6 a 12 meses após a cirurgia: confirma a estabilização da ressonância e subsidia decisões sobre continuidade do tratamento.
– Durante a terapia fonoaudiológica: monitora a evolução da disfunção velofaríngea funcional ao longo do processo terapêutico.
Rinolalia e Alterações de Ressonância
O nasômetro é útil em qualquer caso em que haja suspeita de alteração de ressonância — seja hiponasalidade por obstrução nasal (rinite alérgica, desvio de septo, adenoides hipertróficas) ou hipernasalidade funcional sem causa estrutural evidente.
Em casos de hiponasalidade, a nasalância baixa documentada pelo nasômetro contribui para o encaminhamento fundamentado ao otorrinolaringologista.
Como é Realizado o Exame com o Nasômetro
Preparação do paciente:
– Explicar o procedimento de forma clara — especialmente para crianças
– Verificar ausência de maquiagem ou creme na região do lábio superior (pode interferir na vedação da placa)
– Garantir postura ereta durante o exame
Sequência de avaliação:
1. Posicionar a placa separadora entre o lábio superior e o nariz
2. Solicitar a produção de materiais de fala padronizados — normalmente inclui frases com predomínio de sons nasais, sons orais e mistos
3. O software registra a nasalância em tempo real para cada amostra
4. Comparar os valores obtidos com as normas para o português brasileiro
Materiais de fala utilizados:
– Frases nasais (com predominância de /m/, /n/, /nh/) — espera-se nasalância alta
– Frases orais (sem consoantes nasais) — espera-se nasalância baixa
– Fala espontânea ou texto padronizado
– A diferença entre as médias das frases nasais e orais é um indicador de sensibilidade velofaríngea
Limitações e Complementação com Outros Exames
O nasômetro é um exame acústico — não visualiza diretamente o véu palatino. Para avaliação estrutural e funcional completa da DVF, combina-se com:
– Nasofibroscopia: visualiza diretamente o fechamento velofaríngeo durante a fala
– Videofluoroscopia do véu palatino: imagem radiológica dinâmica do movimento palatino
– Avaliação perceptivoauditiva: complementa os dados objetivos com a impressão clínica
Nenhum desses exames substitui os outros — a avaliação completa da DVF exige a combinação de dados objetivos (nasômetro), estruturais/funcionais (nasofibroscopia) e perceptivos (avaliação do fonoaudiólogo).
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) inclui recursos para avaliação objetiva da voz e ressonância em contextos clínicos e de pesquisa.
Quem Pode Realizar o Exame com Nasômetro
O nasômetro é operado pelo fonoaudiólogo, que deve ter treinamento específico no equipamento e conhecimento das normas para o português brasileiro. Em centros especializados em fissura palatina, o nasômetro é parte da rotina de avaliação multidisciplinar.
Para profissionais que desejam incorporar o nasômetro à prática clínica, recomenda-se:
– Capacitação técnica específica no equipamento
– Familiarização com as normas brasileiras de nasalância (estudos de Trindade, Yamashita e colaboradores)
– Uso como parte de protocolo de avaliação completo, não como exame isolado
Conclusão
O nasômetro é uma ferramenta de avaliação fonoaudiológica que eleva o padrão de cuidado na área de ressonância vocal, fissura palatina e disfunção velofaríngea. Sua capacidade de quantificar objetivamente a nasalância transforma a avaliação de uma análise perceptiva subjetiva em dado documentável, comparável e utilizável para decisões clínicas e cirúrgicas. Indicado corretamente e interpretado com o suporte das normas brasileiras, o nasômetro é um diferencial significativo em qualquer serviço de fonoaudiologia especializada.
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